Processo — Quando os Caminhos de Deus Não Nos Fazem Sentido

processo — quando os caminhos de deus não nos fazem sentido

Processo — Quando os Caminhos de Deus Não Nos Fazem Sentido

“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.” (Provérbios 3:5)

Existe uma pergunta que quase todo cristão já se fez em silêncio — ou quando a crise aperta, depois de mais um dia em que aparentemente nada deu certo:

“Não entendo por que Deus está permitindo isso.”

A resposta que desafia a lógica

Por muito tempo, eu achei que entender o processo era condição para aceitá-lo. Tenho uma necessidade profunda de entender tudo, e isso se reflete na forma como vivo os processos. Sou adepto do pensamento de Philip Kotler: entender para atender. Por isso quero explicações claras o tempo todo. Mas a resposta que comecei a aprender — e que ainda aprendo todo dia — é outra: “Porque Ele pode estar te preparando para algo que você ainda não consegue enxergar.” Foi num culto na Igreja Família, com o pastor Eduardo Bortolossi, que uma frase me atingiu em cheio: “Se você quer ter a paz que excede todo entendimento, pare de querer entender tudo.”

Parece um contrassenso — especialmente para alguém que, no fundo, se apoia em seu próprio entendimento. É um mecanismo de defesa: se eu entender tudo, talvez eu consiga controlar o que está fora do meu alcance. Porque tenho pouquíssimas recordações de ter esperado algo e colhido bons frutos. Na maioria das vezes, me senti “enrolado”. Mas será que não estou confundindo espera com enrolação? Ou será que medir os planos de Deus com a régua humana não é insensato da minha parte? A paz que excede todo o entendimento não nasce da compreensão, mas sim da confiança.

Os que também não entendiam

A Bíblia está cheia de histórias sobre pessoas que não entendiam nada do que Deus estava fazendo — e isso não os tornava fracos na fé, os humanizava.

José não entendia a prisão. Filho da promessa, sonhador, ungido. Foi vendido pelos irmãos, acusado falsamente, jogado numa masmorra egípcia. Se ele tivesse achado que “entender” era obrigatório, teria morrido amargurado, quem sabe. Mas ele só precisou entender uma coisa: Deus ainda estava lá.

O urso e o leão, aparentemente não faziam sentido para Davi, até que ele se deparou com Golias. Foi aí que ele enxergou o gigante como oportunidade. Ninguém viu aquelas lutas silenciosas no deserto. Ninguém aplaudiu. Todos viram o gigante, mas Deus via o que já havia sido vencido. Davi não entendia o propósito daquelas lutas invisíveis. Mas elas o estavam preparando para a luta que todos veriam.

Davi também escrevia e fazia poesia. Assim como ele, eu também componho versos. Talvez por isso Deus o chamasse de “homem segundo o meu coração” – não por acertos, mas por sinceridade.

Daniel não entendia a cova. Servo fiel, íntegro, irrepreensível. Foi jogado aos leões por obedecer a Deus. Ele não entendia por que o justo sofria. Mas Deus não o tirou da cova — Deus o acompanhou nela.

Os jovens hebreus não compreendiam a fornalha. Adorar ou morrer. Não havia terceira via. Foram atirados no fogo porque não se curvaram. Deus não apagou as chamas, entrou no fogo com eles. E no meio da fornalha, eles perceberam não estarem sozinhos.

A semente não entende a terra. Ela é jogada no escuro, coberta de terra, pressionada. Pensa que está sendo enterrada. Mas está sendo plantada. O que parece fim é início. O que parece morte é preparação para frutificar.

E assim como a semente, há outra coisa que também não entende o processo: o diamante. O diamante não entende a pressão. Carbono submetido a calor e pressão extremos. Não é um processo confortável. Mas é o único caminho para se tornar diamante. Sob o calor e a pressão, se forma aquilo que um dia brilhará.

Quando o improvável entra em ação

E não são apenas os personagens bíblicos que vivem essa incompreensão. A história do jogador de basquete Gui Santos, para entrar na NBA, é um retrato contemporâneo disso.

Faltavam aproximadamente 40 minutos para o Draft, e ele ainda não tinha a carta de liberação de seu clube formador. A mãe entrou em ação, oferecendo casa, terreno, carro como garantias. Conseguiram a carta. Mas o imbróglio o fez acompanhar o evento de casa, e não em Nova York. A previsão era que fosse escolhido entre a 30ª e a 40ª posição. Passou a 40ª. Nada. O telefone não tocava. Quando o agente finalmente ligou, a notícia, contrária a tudo que esperara, foi: “Você não foi selecionado.”

Ele conta que era incapaz de assimilar as informações. Sentou num banquinho, chorou, disse que iria dormir. Antes, ligou para a mãe. Foi a primeira vez que ela não teve palavra de consolo.

— Silêncio. —

O pai, então, pegou um terço e começou a agradecer — só pela oportunidade de o filho estar ali. O sonho sempre fora jogar basquete profissional, não necessariamente na NBA.

Gui Santos conta que, após aquela oração, seu telefone tocou novamente. O agente, emocionado: “Vai para frente da televisão. Você vai ser selecionado pelo Golden State Warriors. Escolha 55.”

Gui Santos não conseguiu entender como foi do fundo do poço para o topo tão rápido. Acontece que o Milwaukee Bucks iria escolhê-lo na 56ª posição. O Warriors sempre o quis, mas pretendia esperar. Para não perder o atleta para outro time, agiu na hora.

E quando o processo parece não bastar, Deus às vezes usa o improvável para nos lembrar que Ele não está preso à nossa lógica.

Certa vez, perdi minha carteira com todos os documentos. Na mesma semana, a palavra de Deive Leonardo era sobre “perda de identidade”. Não foi coincidência. Deus estava me direcionando: “Você perdeu documentos, mas eu estou restaurando a sua identidade em mim.”

Eu já havia reclamado com Deus, em oração, que Ele sempre me pedia para esperar, mas nunca me dava um prazo. Não era um clamor bonito. Era um desabafo sincero.

Dias depois, já no Poupatempo para resolver a questão, um homem se aproximou e pediu para apertar minha mão. Disse que sabia que eu estudava Educação Física — e eu não estava com uniforme nem identificação. Senti a presença de Deus naquele encontro. Então ele olhou para mim e disse: “Deus gosta do seu coração, não da sua carne.”

Aproveitei a oportunidade para perguntar sobre o que me afligia — minhas questões familiares paternas — indagando sobre a melhor forma de proceder. Ele então respondeu com a história de Davi e Golias. Depois, completou: “Preste atenção nos próximos 15 dias e em um ano ou dois, você será grande.”

Ele contou terem roubado sua mochila e sido agredido. Revelou então estar cheio de pinga na cabeça. Eu me compadeci e o levei para almoçar no restaurante Dona Inês.

Saí dali em dúvidas. A embriaguez do emissor — revelada abertamente — me fez questionar se deveria crer naquelas palavras. Procurei meu barbeiro e amigo Gardner, a quem nomeei meu “consultor espiritual”.

A confirmação: pastor Robson Viana

Foi ele quem me enviou o testemunho do pastor Robson Viana. O pastor, na época, estava num momento tão difícil que faltava até o que comer em sua casa. Revoltado com Deus, pensava em desistir de ser pastor e voltar a trabalhar. Foi então que, indignado, ele disse ao Senhor: “Não quero que uses ninguém da igreja para falar comigo, nem novas profecias; quero o cumprimento daquelas que eu já tenho.”

E Deus o atendeu. Em um determinado dia, um homem chamado Edvaldo de Farias, vulgo Remela — que o pastor nunca vira sóbrio — o confrontou: “Eu já vi o senhor pregando. O senhor até prega bem, diz para os outros não se afrouxarem, mas vai se afrouxar?” Durante a conversa, os pensamentos do pastor reforçavam o confronto: “Tanto homem de Deus aqui e Deus vai usar justo um bêbado para me confrontar?” Ao que foi novamente confrontado: “Não foi tu que disseste a Ele que não queria que Ele usasse ninguém da igreja?” A palavra veio, e o pastor entendeu que Deus não despreza o improvável.
O relato completo desse testemunho pode ser encontrado em vídeo, intitulado “Ele ia desistir de tudo, mas o Senhor falou com ele de forma inacreditável!”. Conhecer a história em sua forma original ajuda a compreender a profundidade do que aconteceu.
Porque está escrito:
Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. (1 Coríntios 1:27-29)

Aquele testemunho deu luz às minhas dúvidas. Foi então que resolvi prestar atenção nos quinze dias seguintes. E nesse período, ocorreram os fatos que descrevo em “Um Milagre Chamado Vitória”. Sobre o prazo de um ou dois anos, escolhi descansar no Senhor.

O improvável é a assinatura de Deus.

Poema “Conflitual” – a guerra que ecoa

Escrevi o poema abaixo antes mesmo de viver tudo isso. Relê-lo agora me mostra que a guerra interna não começou com o bêbado ou com o milagre — ela já estava em mim, e ainda ecoa. O diamante já prometia brilhar.

19/05/2021

Grande vontade tenho sentido de escrever, compartilhando cada momento.
Tenho vivido um conflito interno, frugal,
rígido versus oral.
Erros sucessivos, altos e baixos, círculos viciosos, tudo é correr atrás do vento.

É guerra espiritual,
carne contra alma, a razão pede calma, mas é fato que eu sou um ser mais voltado ao sentimental.
Reprimo cada sentimento,
a guerra se intensifica, agora a confusão afeta também o meu pensamento.

Fico imóvel, paralisado, desesperado.
Quero dar um basta na roda gigante!
O domador tenta, mas é mais forte o elefante.

Preciso de novos recursos, novas orações, novas soluções, reprogramar todo o errado.
Não é direito para ser fundamentado,
mas é sob o calor e a pressão que se forma o diamante —
passado, presente e futuro apontam para o mesmo lugar;
vislumbro um sucesso fulminante.

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo.” (Salmos 23:4)

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